Um
grande número de monumentos escavados no delta do Egito ao norte do Cairo
foram dedicados a uma deidade composta chamada de ”Atum-Harmarchis”.
Associado a esses monumentos, existia sempre um santuário contendo uma
esfinge com a cabeça humana, a qual segundo o egiptólogo do século XIX
Edouard Naville, era uma “forma bem conhecida do deus Harmarchis”.
“Harmarchis”
é uma forma renderizada do antigo nome egípcio Hor-em-Akhet, o
qual significa “Horus-no-Horizonte” ou “Horus-Habitante-no-Horizonte”.
Já o nome “Horakhti”, significa “Horus-do-Horizonte”. Em outras
palavras, fica óbvio que são dois conceitos ou denominações bem parecidas,
trocando o “do” pelo “no”...
Ambas
as deidades são chamadas habitantes do horizonte. Não há na verdade, nenhuma
diferença real entre elas, a não ser a natureza do horizonte a que se
referem.
Há
no entanto, mais um fato sobre estas deidades que deve ser dito antes.
Os nomes destas deidades eram frequentemente direcionados e relacionados
a Grande Esfinge de Gizeh.
Os “Dois
Horizontes” de Heliópolis
Na estela de
granito de Thutmes IV, encontrada hoje entre as patas da Esfinge, podemos
observar que Gizeh é descrita como “o “Horizonte” (Akhet) de Heliópolis
no Oeste” – ou seja, um “reflexo” no oeste do que os observadores em Heliópolis
podem ter visto no seu horizonte à leste antes do amanhecer no solstício
de verão.
Também pode
ser de grande relevância que o filho de Thutmes IV, Amenhotep III, é lembrado
nos anais do antigo Egito como tendo construído um templo em honra a Re-Horakhti,
e que seu filho, o notório e enigmático Faraó Akhenaton, ergueu um grande
obelisco em Luxor em honra a Re-Hor-em-Akhet.
É legítimo
então perguntar o que o termo “Horizonte” significa exatamente nos nomes
Hor-em-Akhet e Horakhti. Esses seres gêmeos conhecidos como Horus-no-Horizonte
e Horus-do-Horizonte devem ser associados com o Horizonte celeste – aonde
o céu encontra a terra? Ou eles devem ser associados com o “Horizonte”
de Heliópolis no oeste, ou seja, na necrópolis de Gizeh?
Ou será que
os textos estão nos levando a considerar dois “horizontes” ao mesmo tempo?
Curiosamente,
egiptólogos geralmente traduzem os nomes Hor-em-Akhet e Horakhti como
significando “Horus-dos-dois-Horizontes”. O orientalista Lewis Spence
escreveu: “Horus-dos-dois-Horizontes; o Harmarchis (Hor-em-Akhet) dos
gregos, era uma das formas principais do deus-sol... por isso encontramos
Harmarchis adorado principalmente em Heliópolis... seu monumento mais
conhecido é a famosa Esfinge, perto das Pirâmides de Gizeh”.
Então, se Hor-em-Akhet
é a Grande Esfinge no mais ocidental “Horizonte de Gizeh”, não deveríamos
por Horakhti, sua “gêmea”, no horizonte do céu mais oriental?
Estas são questões
que devemos continuar a perseguir. A segunda Esfinge existe realmente
e está enterrada em algum lugar do deserto esperando para ser descoberta,
ou ela está, ou melhor, esteve no horizonte, em uma época muito mais remota,
onde a Esfinge que conhecemos hoje, a encarava... representada no céu
pela constelação de Leão, há mais de 12.500 anos atrás, exatamente no
oriente dali?...
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