Como sabem os católicos,
assim como todos aqueles interessados na vida e obra de nosso Avatar
Jesus, existem um grande número de relíquias relacionadas à paixão de
Cristo espalhadas pelo mundo. Número este que chega à casa do milhar.
Qualquer um que tenha uma
noção de Sua vida e da Sua Paixão, pode intuir que este número é
tão absurdo quanto impossível.
Na Basílica de Saint-Denis,
em Argentenil - ao norte de Paris, conserva-se por exemplo, uma suposta
"túnica sagrada". E outro tanto ocorre na catedral de Trévaux. Com o
devido respeito aos que crêem em ambas as túnicas, é pouco provável
que uma delas possa ser a que usou o Mestre Jesus. Na primeira, não
obstante as dimensões serem aceitáveis (1.45m de comprimento por 1.15m
de largura) e não exibir costuras, o cânhamo nada tem a ver com a natureza
das vestimentas usadas habitualmente pelos hebreus à época - que basicamente
se utilizavam de algodão, lã e linho. Quanto à segunda, ainda é mais difícil
de identificar. Trata-se de uma série de fragmentos de um tecido muito fino
e pardacento, envolto e protegido das traças em dois panos. Um destes é de
seda adamascada, fabricado possivelmente no Oriente, entre os séculos VI e IX.
Quanto aos cravos e à Cruz
de Cristo, ocorre algo ainda mais berrante. Há uma tradição que
conta que a Imperatriz Santa Helena desenterrou os cravos utilizados
para prender O Cristo à Cruz no século IV. Segundo esta lenda, a
Imperatriz teria mandado confeccionar um freio para o cavalo de seu
filho com um dos cravos (que se encontra hoje em Carpentras).
Com outro fez um círculo
para o capacete de Constantino, e diz-se que este círculo faz parte
hoje da coroa de ferro dos reis lombardos, em Monza.
O terceiro cravo teria
servido para acalmar uma tempestade no mar Adriático... O caso é que
na atualidade, em diversas igrejas da Europa, se veneram supostos
cravos da Paixão de Cristo, totalizando dez(!) destes. Surpreendente,
se partirmos do suposto que eram quatro os cravos para prender os
crucificados - um em cada pulso e um em cada pé. Outros se encontram em
Veneza, Trévaux, Florença, Sena, Paris e em Arras.
O mesmo ocorre com respeito
à madeira da Cruz de Jesus. Existem pedaços da Cruz de praticamente todos
os tamanhos. Todas, é claro, extraídas da verdadeira Cruz. Talvez o maior
fragmento seja o que se encontra na Espanha - em São Toríbio de Liébana, na
província de Santarém, ao norte. A tradição afirma que este lignum crucis
foi levado de Jerusalém por São Toríbio, bispo de Astorga, na Espanha, e
contemporâneo de São Leão I, o Grande. Sua autenticidade nunca foi comprovada...
Se pararmos para pensar sobre esta
tradição, veremos que tende ao absurdo imaginar que os soldados perdessem
seu tempo enterrando os cravos e as cruzes utilizados em cada execução,
como pretendem alguns exegetas em defesa da história da mencionada mãe do
Imperador Constantino. De fato, é mais provável que as cruzes e os próprios
cravos fossem re-utilizados em diversas execuções.
Particularmente, acho que
isso é "providencial". Tenho comigo o sentimento que o Filho do Homem não
queria - nem gostaria - que objetos Seus fossem venerados ao longo dos
tempos. Jesus veio à Terra como um Mensageiro - Mensageiro da Paz e do Amor -
e sofreu por nós. Infelizmente não estávamos preparados para receber e
assimilar estas mensagens à época (e a pergunta fica: e se tudo acontecesse
agora, será que estaríamos prontos?...).
Ao invés de ficarmos venerando
objetos materiais que podem ou não ter pertencido a este Espírito Iluminado,
devíamos única e exclusivamente nos preocupar em praticar seus ensinamentos.
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