Nos primeiros
meses de 1978, uma expedição japonesa da qual preferimos não dar
dados mais pessoais em atenção a boa intensão que a motivou -, terminou
a construção de uma pirâmide maquete, a poucos quilômetros do grupo piramidal
de Gizeh, executada com grande afã de perfeição, com uma altura total
de 10 metros e onde não havia pedra que pesasse mais de uma tonelada.
O diretor da obra, assistido por um par de dezenas de arqueólogos e técnicos,
mais aproximadamente 200 naturais da área, começou sua tarefa, que logo
demonstrou ser muito árdua.
Na
obra foram empregadas todas as técnicas que deduziram os arqueólogos em
voga, e em especial foram consultados os relatos de Heródoto sobre como
os egípcios lhe contaram que haviam sido feitas as pirâmides, no passado
remoto.
Então,
ante os olhos do diretor, jornalistas e especialistas na matéria, iniciou-se
um fenômeno de insuficiência técnica irreversível; os instrumentos de
cobre temperado que se supõe que os egípcios utilizaram para cortar seus
colossais blocos, mostraram-se quase impotentes para com o granito e se
se requeria uma equivalente perfeição, cada pequeno bloco se exigia tanto
tempo de trabalho, que a obra, de apenas 10 metros de altura, não terminaria
no inverno. Por isso, decidiu-se empregar máquinas modernas de corte e
não aperfeiçoar muito o acabado. O transporte também apresentou inconvenientes
insolúveis, pois os famosos "esquis" para areia e os rolões
eram praticamente desgovernáveis e nas partes rochosas nao houve forma
de superar os obstáculos sem prejudicar consideravelmente os cubos de
pedra que ficavam danificados. Outra vez, os meios modernos e a pequenez
das moles de pedra, permitiu o transporte. O "zênite" dos inconvenientes
se produziu quando se tentou colocar o "Piramidão", no cume.
Esta diminuta pirâmide, pesava no modelo-maquete apenas 1.000 quilogramas.
Empurraram-na por uma rampa de areia contida por blocos de pedras laterais,
lançando óleo ante seu "esqui"; foi puxada por uns 200 homens
, que para fazer mais real a coisa, empregaram litanias, baseadas nas
palavras "para o alto!". Então descobriram que o óleo não só
fazia resvalar o esqui como também aqueles que empurravam com alavancas,
e os que puxavam as cordas de cima muito pouco podiam fazer. Tantas foram
as vezes que se tentou levantar a pequena mole por meio da rampa, e tantos
os fracassos que por fim, o diretor do projeto desistiu do metodo e decidiu
experimentar o último, ou seja, as gruas de troncos de palmeira e sogas
de fibra com as quais, conforme os livros correntes, os egípcios antigos
levantaram obeliscos de centenas de toneladas. Este bloco pesava somente
uma tonelada e nao seria demasiado difícil colocá-lo em seu lugar. Foi
aí que a verdade lhes foi apresentada de uma maneira contundente, pois
estando a mole a quase dez metros de altura, estalaram os troncos de palmeira
em milhares de estilhacos que feriram a todos, inclusive o diretor, que
preferiu colocá-la com uma moderna grua, tirar algumas fotos e desarmar
a maquete tal qual era o trato com o governo egípcio. Uma vez sarado de
seus superficiais ferimentos, com o melhor humor nipônico, expressou que,
pelo menos, já sabemos "como não foram construidas as pirâmides".
Esta
narração, que apareceu publicada em todos os jornais importantes do mundo,
no mês de abril de 1978 demonstrará ao leitor o porquê de nossas resistências
a aceitar ao pé da letra essa e outras supostas verdades da "Ciência"
oficial, a que não poucas vezes sustenta hipóteses mais ou menos irrealizáveis,
como se tratassem de verdades indiscutíveis, e que extrai dos clássicos
somente aquilo que coincide com a forma de pensar em moda, silenciando
tudo o demais. Esclarecemos oportunamente que a mencionada resistência
a pseudo-ciência materialista não deve fazer-nos cair no outro extremo,
o de inventar ou repetir historietas inventadas por outros,
atribuindo as megalíticas construções da antigüidade a seres vindos de
outras galáxias, pois disso não há provas, nem menção alguma conhecida
nos antigos tratados.
Creio
que o que diferencia o filósofo do simples crente é a busca da verdade,
e não pressupô-la, dando lhe atributos antes de conhecê-la. Existem toneladas
de papiros sem tradução, ou traduzidos parcialmente, ou interpretados
segundo os cânones limitados dos materialistas. E uma boa missão para
os filósofos que sentem inclinação para isso, o trabalhar, porém de uma
maneira séria, na investigação destes enígmas e manterem-se informados
e em dia sobre qualquer descobrimento. Se pensamos que 90% dos papiros
foram conhecidos e traduzidos nos últimos 50 anos; que Sumérios, Hititas,
Hurritas, Kashitas, não eram nem conhecidos no século passado; que os
bronzes de Luristão eram denominados "babilônicos", ässírios"ou
caldeus"; que se ignorava que as pirâmides americanas foram algo
mais que montões de terra aprisionados
(
)
Um
filósofo deve aprender a dizer "não sei" quando não sabe, antes
de fantasiar inventando soluções que logo se voltarão contra ele e contra
a instituição à que pertence. Honremos assim, ao diretor da reconstrução
das pirâmides egípcias, que teve o valor moral de reconhecer, elegantemente,
sua ignorância.
Jorge
Angel Livraga (1930 1991)
Fundador da Organização Internacional Nova Acrópole
Publicado no Caderno de Cultura Nova Acrópole n° 2
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